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terça-feira, 3 de abril de 2012

Árvore do futuro, por Diva de Montalbán


Nome: Diva de Montalbán
Blog: Pensamentos de Diva de Montalbán
Endereço: Santos - SP



Já é nova estação. Lá no meu quintal,vou cavar o solo e depositar a semente de uma árvore.
Plantar no outono, a primavera, e vê-la forte e linda no verão que virá.
A enxada foi posta de lado. De joelhos, cobrirei os sonhos com a terra fria e úmida pelas chuvas do inverno, usando apenas  as mãos de castos amores.
Árvore de um futuro próximo. Nela pousará a abelha e o sabiá. O beija-flor sorrirá quando por ela passar, e ao seu redor a grama macia se estenderá.
Da minha janela poderei cuidar dela...perceber a natureza compondo sua harmonia.
Árvore da vida...
E sua sombra será o abrigo para quem busca leveza de um sentimento, alimentado pela fotossíntese dos banhos de sol e de lua...
E o beija-flor?
Já falei do beija-flor... ele sorrirá quando  por ela passar. Será verão...

Minhocas na cabeça, por João Paulo Hergesel


Nome: João Paulo Hergesel
Blog: Joaninha Platinada
Endereço: Alumínio - SP



A perspicácia do Verão foi calorosa. Na distribuição das estações, soube escolher o melhor período, obteve a sorte de trabalhar com a companhia do Sol e ganhou a oportunidade de receber o ano com um sorriso radiante de boas-vindas, bem como a de lhe dizer adeus com um ardente beijo de despedida. Pode, inclusive, se gabar por acolher os três maiores feriados, Natal, Ano Novo e Carnaval. Além de bancar o bonzinho com os jovens por ter abraçado, também, as férias escolares.
Às vezes, porém, o que deveria ser descanso acaba se resultando em tédio. Na chácara do avô, nada para fazer, ninguém com quem falar — nem as três filhas da empregada, de idades consecutivas aos doze anos dele, arriscavam conversa. Para se livrar do contrastante frio do desprezo, distanciou-se da casa e adentrou uma trilha abandonada, onde seguiu até encontrar um riacho.
A grama tão alta parecia estar de pé. Ele deitou o corpo sobre ela, as mãos se fizeram travesseiro, os olhos admiravam as nuvens que bailavam no cenário azul do céu. Coisa mais chata, mas servia para passar o tempo e se esquecer do desejo alucinado de chupar sorvete. A bermuda de poliéster e a camiseta sem mangas deixavam à mostra as pernas e os braços, que já carregavam os primeiros fios da puberdade. Passou quatro horas ali.
Percebeu ter encontrado algo mais que um lugar bonito: descobriu o aconchego. Sentia-se relaxado, a brisa morna fazendo-lhe cair no sono. As pálpebras pesavam, mas antes que elas se fechassem, a bexiga tornou-se um incômodo. A sensação de preguiça era muito boa, por isso cruzou as pernas e tentou enganar o organismo. Há coisas, no entanto, as quais não se adianta nem tentar; impedir a vontade da natureza é uma delas.
O banheiro mais próximo ficava longe, e o barulho da correnteza não contribuía muito para o autocontrole. Teve de tomar uma atitude tipicamente masculina: infiltrando-se entre arbustos e correndo para trás de uma árvore, fez do musgo mictório. Por fim, olhou para baixo — ficou cara a cara com uma minhoca.
Como ela era feia, pobrezinha... e aparentemente estava infeliz; pelo menos não sorria, se é que tinha algum dente para isso. O sol a deixava estorricada e sem forças, um caule de margarida exposto ao calor, completamente murcho. O garoto quis fazer alguma coisa com ela, embora não tivesse a mínima ideia do que pudesse ser feito. A minhoca era indiferente ao olhar do rapazinho.
O som de passos fez o garoto virar-se abruptamente; a minhoca apenas transpareceu um leve movimento. As filhas da empregada apareceram para tomar um banho de riacho. O verde circundava o lugar, e o garoto, espiando entre os vegetais, sentiu seu mundo colorir. Uma morena, uma loura e uma ruiva: sorvete de napolitano em forma humana.
Os olhos brilhantes baixaram e viram que a minhoca havia encontrado sombra e se reidratava aos poucos. Ele baixou a mão direita e a aproximou dela, numa tentativa de brincar — uma brincadeira da qual não sabia certamente quem sairia vencedor. Tomou entre os dedos algo mole e esquisito de segurar.
Voltou a observar entre as folhagens e se deparou com uma imagem nunca vista pessoalmente por ele antes: as camisetas não poderiam ser molhadas, por isso as garotas as tiravam. O garoto colocava um sorriso malandro na face. A minhoca se contorceu, espreguiçando-se, como se a sombra, a temperatura ou algum outro fator do momento fosse responsável por que ela se esticasse.
À beira do riacho, a loura e a morena usavam os delicados dedos para desfazer o nó dos cordões de seus shorts, enquanto a ruiva descia calmamente a saia. O garoto continuava a espreita e se divertia com a cena. Começou a balançar os dedos, uma massagem malfeita na minhoca. Ela, mesmo assim, demonstrava gostar e o recompensava fazendo pequenas cócegas.
Não sabia se ria ou se se segurava, se olhava para a isca de peixe ou para as três sereias. Sem perceber, a situação dos dois novos amigos se inverteu: a minhoca estava rígida, procurando algo para olhar, e ele se contorcia, sentindo uma estranha alegria interior nunca sentida antes.
Reposicionou os olhos a tempo de assistir ao desfecho da cena. As moças analisaram o ambiente e, sem notar a presença do neto do patrão, se desfizeram das roupas de baixo e pularam na água cristalina, refrescando seus corpos.
Uma inesperada e repentina chuva de fim de tarde escorreu de uma nuvem passageira. As garotas saíram espontaneamente do riacho e, vestindo-se rapidamente, voltaram para casa. O garoto permaneceu estático — as gotas do suor imprevisto que vazava da testa se misturaram com as gotas do suor vindo do céu. A minhoca, agora molhada, se encolheu na palma da mão. A mão estava pegajosa — celoma de anelídeo, talvez — e mostrava o poder que ela teria dali em diante.
Perspicaz foi o Verão. Merecedor de uma menção honrosa por representar uma época que é tida, por muitos, como a da descoberta da adolescência.


Direitos Reservados à João Paulo Hergesel

domingo, 1 de abril de 2012

Guerra de Lágrimas, por Thayná A. Caetano




Nome: Thayná A. Caetano
Blog: Kawai Candy
Endereço: Ribeirão Pires - SP



Em um dia qualquer de verão na Alemanha, em 1915, a chuva gélida caía rapidamente lá fora, enquanto eu a observava de janela de casa com meus pensamentos soltos. Hmm... Chuva...
- Ei mamãe, quando o papai vai chegar?
Ela sempre ficava pálida quando eu perguntava isso. Ficava quieta por um tempo, e logo depois respondia "Daqui a pouco, meu bem. Daqui a pouco" Mas daqui a pouco quando? E se começar a trovejar? Quem irá me proteger dessa chuva assustadora, hein? Refletia sobre isso todos os dias enquanto ouvia os tumultos e tiros nas ruas. Mamãe não me deixava mais brincar no parque, ficávamos em casa o dia todo. "Está tudo bem, temos estoque de comida o suficiente para vivermos, filha". Mas porque ficar trancada o dia todo em casa enquanto o dia era tão belo na cidade? Ela não respondia.

"Se não posso ir ao parque, com quem vou brincar?" eu perguntava isso com muita frequencia, e ela apenas colocava a mão em sua barriga enorme e respondia com um sorriso "Com seu irmãozinho. Assim como o papai, ele logo logo vai chegar". Isso é muito tedioso, mamãe! Os dois estão demorando muito! Fico pensando toda hora em que um dia meu irmão vai chegar e, junto com papai, vamos brincar alegremente, como nos velhos tempos. Isso me animava , mas as coisas estavam muito estranhas naquela época. Por qual motivo papai teria saído ás pressas de casa e ficado longe de nós por tanto tempo sem dar noticias? Poxa, já se passou muito tempo! Quando isso vai acabar? Eu não estou entendendo mais nada!

As vezes, quando ficava com insonia, ia para a cozinha pegar um pouquinho de leite para ver se isso me tranquilizaria e, quando passava em frente ao quarto de mamãe, ouvia gemidos e palavras de desespero vindas dela, que sempre chorava e repetia sem parar "Volte para casa, por favor. Eu imploro...". Gostaria de ajudá-la, mas tinha medo de perguntar o que a aborrecia...

Certo dia, uma homem meio velho de bigode que aparentava ter uns 50 anos, e que usava as mesmas roupas que o papai costumava usar, veio em casa para dar um recado para mamãe. Fiquei escondida no quarto observando por uma brecha na porta, enquanto pensava o por que dele estar usando as mesmas roupas do papai. Eles conversaram por uns três minutos. Não entendi muito bem o que diziam, mas mamãe arregalou os olhos ao ouvir as palavras "morto em combate". Logo o homem vai embora e ela corre para o quarto gritando e em pratos. Tentai acalma-la e saber o que estava acontecendo, mas ela não quis me contar. Minha mente estava confusa. Naquela época, mal sabia eu que estavamos em plena Primeira Guerra Mundial e que papai nunca mais iria voltar para casa.


sábado, 31 de março de 2012

Peregrinações, por Samantha de Souza


Nome: Samantha de Souza
Blog: Um café pra minha gastrite, por favor.
Endereço: Paragominas - PA





Ela andava como quem anda numa corda bamba, tentando equilibrar seus sonhos para que não caíssem no meio do caminho. Os olhos perdidos no horizonte mediam a distância do destino: é hora de mudar os planos e as direções. O inverno ficará para trás, pois que venha o verão, o sol há de brilhar mais forte para além da fronteira.

Mais Literatura: Março de 2012

 Vamos falar do livro de poemas Gotas da Alma escrito por Antônio Júnior, o livro trás poesias escritas pelo blogueiro, são vários poemas pra todos os gostos. Clique no link e confira como comprar o seu.
Mas antes, confira uma palinha do poema Beija-flor, página 20 do livro.

Voa... vai distante, Beija-flor,
Seja minha voz... o meu falar,
Voa... e diz pra o meu amor,
Que nunca deixarei de lhe amar




Um texto bem interessante, e que estava guardado por mim a bastante tempo, e ainda não havia tido oportunidade de mostrá-lo aqui, é o texto  Intensidade, de Mia Sodré, confira um pedacinho


Intensidade. Não tenho mais ela, não tenho mais ritmo. Na verdade, estou perdendo toda minha sanidade. Mas eu estou bem, estou okay. Não tenho mais nada a falar. As palavras escaparam de mim como se fosse um fantasma. E não o sou? Sou um fantasma, uma sombra quase invisível do que já fui. Apenas um vento passando entre árvores, como uma brisa. Para onde foi a tempestade? Para onde foi minha intensidade? E meu gênio, onde está? Tudo não passou de uma brincadeira do cruel destino, eu sabia, eu sabia. Bem me disse minha intuição. Mas ouvi-la? Isso era demais para mim, sempre foi. E agora onde está minha intensidade?


Pandemia Avulsa, por Alam Arezi


Nome: Alam Arezi
Blog: Cabeça Voodoo
Endereço: Salto do Lontra - PR


Homens...
Interditem as estradas mal criadas e esburacadas
Interditem os hospitais lotados e mal administrados
Interditem as igrejas pelo excesso de contingente
Interditem as férias por falta de dinheiro
Interditem a fraternidade pela falta de solidariedade
Interditem os céus pela falta do azul
Interditem as artes pelo excesso de retoques grotescos
Interditem as músicas que estão se desafinando pela nostalgia
Interditem a esperança que se encontra cansada e tão usada


Homens...
Fechem suas portas para o sem teto que precisa de comida
Fechem seus corpos para o delírio da vida
Fechem seus cofres e se esqueçam da combinação
Fechem seus olhos e se deitem no chão


Homens...
Não olhem para o passado e sintam-se culpados
Não chorem ao terem certeza de que são
Não procurem mais respostas para explicar o que não tem explicação
Não acreditem apenas na sorte
Não duvidem de um juízo final esculpido por suas próprias mãos


Orem...
Sintam-se culpados pelo agora e pelo amanhã
Sintam-se acompanhados pelos deuses que inventaram
Sintam-se tão sozinhos como o corcunda de Notre Dame
Sintam-se invejados pelo próprio sorriso no espelho quebrado


Vejam...
O final vem estampado no mastro da bandeira
O final é autoconfiante e indestrutível
O final é o último suspiro, choro, tosse e aceleração
O final é a primordial aceitação


Antes de tudo,
Homens...
Caiam no vazio pessoal, evitem a implosão
Arrumem suas malas, assistam ao filme predileto e escutem a uma última canção de verão...
Depois disso...
O silêncio eterno será a maior invenção
Feita para nós, dada a nós
A pandemia avulsa de nossa criação.


Não existem maiores problemas, apenas o asfalto
Não existe mais a verdade, apenas metáforas
Não existem mais amores, são sabores dos corpos
Não existe lucidez, todos estão loucos
Não existe pandemia, é só mania de controle
Não existe paraíso, criamos o inferno
Não existe calma, sonhamos acordados
Não existe mais a compaixão, criamos espelhos
Não existe mais a solidariedade, contamos o dinheiro
Não existem mais vocações, viramos escravos
Não existe o existir, coexistimos no vazio
Não existe pátria, arrendaram nossas casas
Não existe lar, o operário usa o teto pra dormir.


Viramos a crença de um sonho utópico
Viramos carrascos de oportunidades
Viramos sujeitos sujos de modernidade
Viramos esqueletos partidos
Viramos o mundo e o perdemos.


Estamos à caça de matérias
Estamos sempre na fila de espera
Estamos sobrepujados por um sistema
Estamos longe do que deveríamos ser
Estamos procurando drogas e heróis.


Ascendemos nossos cigarros
Ascenderemos a nossos transcendentes
Acrescentaremos uma palavra de despedida
Ajuizadamente abriremos as feridas
Apressadamente tomaremos fertilizantes de bebidas
Apresentaremos uma ata em branco no dia em que deus sorrir.


Sós - Nós – Não – Desataremos - Nós.
Juntos –Nós –Não – Saberemos - Ser.


Apenas nosso final será lembrado
O nascer enterrado
E vivo
Sem memória
Existirá.

quinta-feira, 29 de março de 2012

A poesia que era pra ser no verão! por Helder Henrique





Nome: Helder Henrique do Nascimento Peres
Blog: Helder Poeta
Endereço: Arapongas -PR




Era para ser mais um concurso de poesia aleatório

Mas dessa vez a coisa ficou séria!

Não posso mais me dar o luxo de criar algo satisfatório
Tenho que dar o meu melhor nesta poesia que faz ferver minha artéria

Posso tentar o estilo romântico, do qual sou bom
“Enxergar em qualquer moça os traços de minha amada
Sentir o calor da pele dela como se fosse mais um sol de verão
Fazendo-me bater forte o coração ao chamá-la de namorada”

Posso fazer o estilo de aventura, que sempre me faz ir longe
“Tenho apenas seis balas em meu revolver e acho que será o bastante
Com um tiro que ecoa tão longe sei que está na hora de partir ao meu alvo
Corro em direção ao vento, para encontrar o inimigo á minha espera, ofegante”

Acho talvez melhor, fazer uma poesia de estilo de crítica
“Ela passa o dia inteiro sonhando acorda sem objetivo
Pensando que a vida é só festas, curtir com as amigas e viver com os pais
Mas essa menina tola, que se acha espera, um dia sofrerá do coração, sem motivo”

Já sei! Acho que farei uma poesia engraçada
“Lá vem o João indo para escola fazer prova de português
Estudou tanto, mas tanto para poder aprender sujeito e predicado
Que esqueceu que isso era matéria do ano passado, e terá que fazer a prova outra vez”

Não... Não consigo me decidir que poesia fazer
O Verão já acabou, já é outono poxa, e por que tenho que escrever isso?
Talvez este concurso seja uma furada!
E quem sabe seja melhor fazer chouriço para comer na hora do serviço

quarta-feira, 21 de março de 2012

Canção Do Outono Sombrio: Por André Luis Soares


Nome: André Luis Soares
Blog: Gritos Verticais
Endereço: Guarapari - ES



Canção Do Outono Sombrio


(André L. Soares)

Tenho pisado em folhas secas

que se amontoam aos pés das cercas,
depois esvoaçam pelo chão.

Acima, quase brilha um sol cinzento
simultaneamente ao vento,
que uiva a mais sombria das canções.
Vivo uma tristeza há mais de trezentos dias
sem ver flor ou ler poesia,
numa busca que parece ser em vão.

Em meus olhos respinga a garoa fina
que se funde às minhas lágrimas...
(nem sei se sou eu quem chora ou se é o céu).

Escondido sob o espesso sobretudo
carrego o peso do mundo em minhas costas,
seguindo só com minhas botas e o destino infiel.
No meu caminho, a primavera não é óbvia,
sinto mais frio que num inverno em Varsóvia
(sonhos congelados na nevasca da ilusão).

Aspiro o pó branco que sobe pelas narinas
ou mergulho na bebida ofertada nos bares...
(falsas amigas que me empurram para a cova).
Não mais havendo lua-nova em minhas noites
semicerro as pálpebras e me acostumo ao breu;
afinal, o pior inimigo a enfrentar ainda sou eu.

Feito um corsário sem rumo,
minha alma de pássaro ganhou o azul,
migrou pro Sul... foi embora no outono
e se me mantenho em pé é por paixão:
tenho fé, que apesar de tanta derrota,
ao abrir alguma porta, ainda haverá verão 





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