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Blog Pandora abriu sua caixa de Carolina Rieger

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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Lista de Links - Primeira Semana de Junho

Cultura Difundida


O blog Cultura Fundida é um blog que pretende mostrar projetos e ações culturais nas áreas de
cinema, teatro, musica, poesia, artes visuais e dança.




Nuvem Negra



O blog foi feito para divulgar uma série de livros que Shirlei di Tonini está escrevendo. Também
alguns textos inéditos e notícias sobre o tema anjos, demônios, batalha
espiritual e adolescência.




Casdia


Casdia é um blog que conta história em capítulos, na verdade como se fosse um livro, casdia é um universo paralelo ao nosso, onde o jovem Ryan é enviado para uma missão de vida ou morte


sábado, 7 de abril de 2012

Chuva de Verão, por Edweine Loureiro


Nome: Edweine Loureiro
Endereço: Saitama - Japão
Blog: Edweine Loureiro




Gotas respingam no vidro da janela e de meus olhos, a menina daquela casa não mais existe, eu não existo, o café na chaleira, os chinelos esquecidos, será que na islândia faz sol, uma noite ele foi comprar cigarros e me deixou, foi um verão frio aquele, tenho que acertar o relógio, olha que coisa mais linda mais cheia de graça, adoro tom, acho que vai chover o dia todo, e eu aqui, acorrentada, lendo um Borges que não entendo, tão labiríntico, vai ver também sou labiríntica, sem sol nem praia, só essa chuva, labiríntica…

Folhas Caídas, por Amanda D'Andrea Löwenhaupt


Nome: Amanda D'Andrea Löwenhaupt
Endereço: Pelotas - RS
Blog: Vivendo entre livros




Conforme os dias quentes de verão davam lugar ao agradável frio do outono, pensei que me tornaria capaz de abandonar o passado. Como estava enganada... Certos eventos se tornam divisores de águas em nossas vidas, separando o que éramos antes daquilo que nos tornamos ainda que contra nossa vontade.
Há muito tempo aprendi como esconder meus sentimentos, minha face tornou-se uma máscara impassível e ninguém poderia ver o que havia além dela. Ninguém além dele, é claro. Pode parecer um clichê: a psiquiatra fria e profissional que se apaixona por um de seus pacientes e se prova extremamente sentimental. Mas não foi assim que aconteceu. Nem mesmo agora posso dizer que sou especialmente sentimental, e tenho certeza de que ninguém foi capaz de perceber mudanças em meu comportamento porque elas não ocorreram. Não me tornei outra pessoa, nem mesmo revelei que já era por trás da máscara. Continuei tão afastada dos outros como sempre fui. Talvez por isso ninguém foi capaz de compreender como sua morte me afetou. A diferença estava no que era visto, não no que era mostrado.
Ele era capaz de enxergar além de todas as farsas, além das mentiras inocentes e das não tão inocentes que contava diariamente. Sob seu olhar sentia-me nua, incapaz de esconder até mesmo meus pensamentos mais obscuros. Era ele quem me avaliava, não o contrário.
Por vezes me peguei pensando em como a vida deveria ser devastadora para ele, que não era protegido pelas ilusões que permitem a vida diária. Por ser capaz de observar aquilo que outros preferiam ignorar, foi levado até a beira do abismo. E foi lá que o encontrei.
Pensando em retrospecto, qualquer relacionamento entre nós estava fadado ao fracasso. Eu era sua médica, e respeitava minha profissão demais para ignorar esse fato. Era uma relação platônica, baseada em nossas longas conversas sobre filosofia e sociologia, e em especial sobre o que ele havia feito. Mesmo esse relacionamento tinha todos os motivos para ser encerrado. Atrelar minha existência a alguém que não suportava mais o peso da vida foi uma das decisões mais tolas que já fiz.
Não acredito que tenha de fato atentado contra a própria vida, ao menos não naquele primeiro momento. Creio que só queria ser deixado em paz e pensou que uma ala psiquiátrica era um lugar tão bom quanto qualquer outro para organizar seus pensamentos. Talvez precise acreditar nisso, ou pensarei que tudo o que vivemos foi apenas sua tentativa de me usar para sair daquele local. Muitas semanas depois de nos conhecermos, contou-me que ficou desesperado por não saber como contar para o irmão que seu noivo era um mentiroso que só estava interessado no direito e na influência da família. Quando seu irmão não acreditou no que tinha a dizer e prosseguiu com o casamento apenas para passar por um doloroso divórcio alguns meses depois, não suportou a culpa e cortou um dos pulsos. Meses se passaram antes que me mostrasse a cicatriz e me contasse que sabia que não iria morrer. Era um corte horizontal, sem marcas de hesitação, não muito profundo. E foi ele quem chamou a ambulância.
É claro que só estou tentando racionalizar um comportamento que não teve nada de racional, mas é o único modo que tenho de compreender o que o levou a me abandonar. Por vezes me pergunto até que ponto ele entendia o que existia entre nós. Sei que viu sentimentos que tentei negar muito antes de me tornar capaz de os admitir, mas não sei o que pensava das relações humanas. Sendo capaz de ver além das mentiras e das atuações, não tinha muita fé em relacionamentos.
Era um homem bom, mas nem ao menos sabia disso. Fazia o bem sem esperar nem mesmo um sentimento de gratificação. Os outros o viam como um estranho, até mesmo um louco. E até certo ponto o era. Talvez todas as mentes tão brilhantes funcionem de um modo que chamamos de loucura. Era inteligente demais para seu próprio bem, capaz de fazer coisas que outros consideravam impossível.
Meus próprios pensamentos me parecem desordenados. O que me faz pensar que ele era bom? Seria tão tola ao ponto de acreditar que desvendar verdades que ficariam melhor permanecendo encobertas era um ato de bondade? De fato preveniu muitos crimes e salvou diversas pessoas da ruína em que transformariam suas próprias vidas, mas o fez porque não poderia evitar. Contar o que via era seu modo de manter um fiapo de sanidade, e quando se tornou incapaz de o fazer, tornou-se também incapaz de seguir vivendo.
Lembro-me perfeitamente do que aconteceu. Dois dias haviam se passado desde sua alta, o que me fez pensar que o hospital tivesse cometido um erro, que eu tivesse cometido um erro. Quando o vi pela última vez antes de ser liberado, não imaginava o que iria fazer, talvez porque diferente dele não era capaz de ver o que se ocultava da escuridão das almas alheias.
Só vi o que aconteceu porque como todas as pessoas ele tinha um pouco de maldade. Ele me ligou para garantir que estaria lá, para garantir que veria quando ele pulasse. Talvez quisesse explicar o que iria fazer, mas não soubesse como me dizer o que precisava ouvir. Suas últimas palavras foram: "Sinto muito."
Pela janela, posso ver as folhas caindo. Já estive no interior desses quartos, que agora vejo como celas, muitas vezes antes, mas é fascinante como nossa percepção pode mudar por causa de simples detalhes. A única diferença entre antes e agora é que já não posso mais sair.
Por falta de termo melhor, chamaram minha desilusão de F32.9. Episódio depressivo não classificado. Acho que é mais fácil para eles dar um código e um nome clínico para o que tenho. Assim não precisam admitir que meu problema é que já não há nada por trás da máscara, que minha alma se partiu em um milhão de pedaços e que não pode ser reparada, que meu coração se espatifou naquela rua e que o sangue que escorria para o esgoto era também o meu.
Pensei que talvez o outono fosse me devolver a frieza que ele me fez perder, mas estava enganada. Talvez o inverno seja capaz de congelar os fragmentos de minha alma, assim os juntarei para que formem algo parecido com meu antigo eu exterior, ainda que meu eu interior permaneça além de qualquer salvação.
Enquanto isso ficarei aqui, vendo as folhas caindo.
Vendo as folhas caindo como ele caiu.
Caiu da graça para se provar mortal.
Mortal como todas as pessoas ordinárias que não o compreendiam e pensavam que ele não era como elas.
Caiu e se tornou uma casca vazia atirada na rua.
Caiu e me transformou em uma casca vazia presa em uma cela.

domingo, 1 de abril de 2012

Guerra de Lágrimas, por Thayná A. Caetano




Nome: Thayná A. Caetano
Blog: Kawai Candy
Endereço: Ribeirão Pires - SP



Em um dia qualquer de verão na Alemanha, em 1915, a chuva gélida caía rapidamente lá fora, enquanto eu a observava de janela de casa com meus pensamentos soltos. Hmm... Chuva...
- Ei mamãe, quando o papai vai chegar?
Ela sempre ficava pálida quando eu perguntava isso. Ficava quieta por um tempo, e logo depois respondia "Daqui a pouco, meu bem. Daqui a pouco" Mas daqui a pouco quando? E se começar a trovejar? Quem irá me proteger dessa chuva assustadora, hein? Refletia sobre isso todos os dias enquanto ouvia os tumultos e tiros nas ruas. Mamãe não me deixava mais brincar no parque, ficávamos em casa o dia todo. "Está tudo bem, temos estoque de comida o suficiente para vivermos, filha". Mas porque ficar trancada o dia todo em casa enquanto o dia era tão belo na cidade? Ela não respondia.

"Se não posso ir ao parque, com quem vou brincar?" eu perguntava isso com muita frequencia, e ela apenas colocava a mão em sua barriga enorme e respondia com um sorriso "Com seu irmãozinho. Assim como o papai, ele logo logo vai chegar". Isso é muito tedioso, mamãe! Os dois estão demorando muito! Fico pensando toda hora em que um dia meu irmão vai chegar e, junto com papai, vamos brincar alegremente, como nos velhos tempos. Isso me animava , mas as coisas estavam muito estranhas naquela época. Por qual motivo papai teria saído ás pressas de casa e ficado longe de nós por tanto tempo sem dar noticias? Poxa, já se passou muito tempo! Quando isso vai acabar? Eu não estou entendendo mais nada!

As vezes, quando ficava com insonia, ia para a cozinha pegar um pouquinho de leite para ver se isso me tranquilizaria e, quando passava em frente ao quarto de mamãe, ouvia gemidos e palavras de desespero vindas dela, que sempre chorava e repetia sem parar "Volte para casa, por favor. Eu imploro...". Gostaria de ajudá-la, mas tinha medo de perguntar o que a aborrecia...

Certo dia, uma homem meio velho de bigode que aparentava ter uns 50 anos, e que usava as mesmas roupas que o papai costumava usar, veio em casa para dar um recado para mamãe. Fiquei escondida no quarto observando por uma brecha na porta, enquanto pensava o por que dele estar usando as mesmas roupas do papai. Eles conversaram por uns três minutos. Não entendi muito bem o que diziam, mas mamãe arregalou os olhos ao ouvir as palavras "morto em combate". Logo o homem vai embora e ela corre para o quarto gritando e em pratos. Tentai acalma-la e saber o que estava acontecendo, mas ela não quis me contar. Minha mente estava confusa. Naquela época, mal sabia eu que estavamos em plena Primeira Guerra Mundial e que papai nunca mais iria voltar para casa.


sábado, 31 de março de 2012

Peregrinações, por Samantha de Souza


Nome: Samantha de Souza
Blog: Um café pra minha gastrite, por favor.
Endereço: Paragominas - PA





Ela andava como quem anda numa corda bamba, tentando equilibrar seus sonhos para que não caíssem no meio do caminho. Os olhos perdidos no horizonte mediam a distância do destino: é hora de mudar os planos e as direções. O inverno ficará para trás, pois que venha o verão, o sol há de brilhar mais forte para além da fronteira.

Pandemia Avulsa, por Alam Arezi


Nome: Alam Arezi
Blog: Cabeça Voodoo
Endereço: Salto do Lontra - PR


Homens...
Interditem as estradas mal criadas e esburacadas
Interditem os hospitais lotados e mal administrados
Interditem as igrejas pelo excesso de contingente
Interditem as férias por falta de dinheiro
Interditem a fraternidade pela falta de solidariedade
Interditem os céus pela falta do azul
Interditem as artes pelo excesso de retoques grotescos
Interditem as músicas que estão se desafinando pela nostalgia
Interditem a esperança que se encontra cansada e tão usada


Homens...
Fechem suas portas para o sem teto que precisa de comida
Fechem seus corpos para o delírio da vida
Fechem seus cofres e se esqueçam da combinação
Fechem seus olhos e se deitem no chão


Homens...
Não olhem para o passado e sintam-se culpados
Não chorem ao terem certeza de que são
Não procurem mais respostas para explicar o que não tem explicação
Não acreditem apenas na sorte
Não duvidem de um juízo final esculpido por suas próprias mãos


Orem...
Sintam-se culpados pelo agora e pelo amanhã
Sintam-se acompanhados pelos deuses que inventaram
Sintam-se tão sozinhos como o corcunda de Notre Dame
Sintam-se invejados pelo próprio sorriso no espelho quebrado


Vejam...
O final vem estampado no mastro da bandeira
O final é autoconfiante e indestrutível
O final é o último suspiro, choro, tosse e aceleração
O final é a primordial aceitação


Antes de tudo,
Homens...
Caiam no vazio pessoal, evitem a implosão
Arrumem suas malas, assistam ao filme predileto e escutem a uma última canção de verão...
Depois disso...
O silêncio eterno será a maior invenção
Feita para nós, dada a nós
A pandemia avulsa de nossa criação.


Não existem maiores problemas, apenas o asfalto
Não existe mais a verdade, apenas metáforas
Não existem mais amores, são sabores dos corpos
Não existe lucidez, todos estão loucos
Não existe pandemia, é só mania de controle
Não existe paraíso, criamos o inferno
Não existe calma, sonhamos acordados
Não existe mais a compaixão, criamos espelhos
Não existe mais a solidariedade, contamos o dinheiro
Não existem mais vocações, viramos escravos
Não existe o existir, coexistimos no vazio
Não existe pátria, arrendaram nossas casas
Não existe lar, o operário usa o teto pra dormir.


Viramos a crença de um sonho utópico
Viramos carrascos de oportunidades
Viramos sujeitos sujos de modernidade
Viramos esqueletos partidos
Viramos o mundo e o perdemos.


Estamos à caça de matérias
Estamos sempre na fila de espera
Estamos sobrepujados por um sistema
Estamos longe do que deveríamos ser
Estamos procurando drogas e heróis.


Ascendemos nossos cigarros
Ascenderemos a nossos transcendentes
Acrescentaremos uma palavra de despedida
Ajuizadamente abriremos as feridas
Apressadamente tomaremos fertilizantes de bebidas
Apresentaremos uma ata em branco no dia em que deus sorrir.


Sós - Nós – Não – Desataremos - Nós.
Juntos –Nós –Não – Saberemos - Ser.


Apenas nosso final será lembrado
O nascer enterrado
E vivo
Sem memória
Existirá.

quinta-feira, 29 de março de 2012

A poesia que era pra ser no verão! por Helder Henrique





Nome: Helder Henrique do Nascimento Peres
Blog: Helder Poeta
Endereço: Arapongas -PR




Era para ser mais um concurso de poesia aleatório

Mas dessa vez a coisa ficou séria!

Não posso mais me dar o luxo de criar algo satisfatório
Tenho que dar o meu melhor nesta poesia que faz ferver minha artéria

Posso tentar o estilo romântico, do qual sou bom
“Enxergar em qualquer moça os traços de minha amada
Sentir o calor da pele dela como se fosse mais um sol de verão
Fazendo-me bater forte o coração ao chamá-la de namorada”

Posso fazer o estilo de aventura, que sempre me faz ir longe
“Tenho apenas seis balas em meu revolver e acho que será o bastante
Com um tiro que ecoa tão longe sei que está na hora de partir ao meu alvo
Corro em direção ao vento, para encontrar o inimigo á minha espera, ofegante”

Acho talvez melhor, fazer uma poesia de estilo de crítica
“Ela passa o dia inteiro sonhando acorda sem objetivo
Pensando que a vida é só festas, curtir com as amigas e viver com os pais
Mas essa menina tola, que se acha espera, um dia sofrerá do coração, sem motivo”

Já sei! Acho que farei uma poesia engraçada
“Lá vem o João indo para escola fazer prova de português
Estudou tanto, mas tanto para poder aprender sujeito e predicado
Que esqueceu que isso era matéria do ano passado, e terá que fazer a prova outra vez”

Não... Não consigo me decidir que poesia fazer
O Verão já acabou, já é outono poxa, e por que tenho que escrever isso?
Talvez este concurso seja uma furada!
E quem sabe seja melhor fazer chouriço para comer na hora do serviço

quarta-feira, 21 de março de 2012

Canção Do Outono Sombrio: Por André Luis Soares


Nome: André Luis Soares
Blog: Gritos Verticais
Endereço: Guarapari - ES



Canção Do Outono Sombrio


(André L. Soares)

Tenho pisado em folhas secas

que se amontoam aos pés das cercas,
depois esvoaçam pelo chão.

Acima, quase brilha um sol cinzento
simultaneamente ao vento,
que uiva a mais sombria das canções.
Vivo uma tristeza há mais de trezentos dias
sem ver flor ou ler poesia,
numa busca que parece ser em vão.

Em meus olhos respinga a garoa fina
que se funde às minhas lágrimas...
(nem sei se sou eu quem chora ou se é o céu).

Escondido sob o espesso sobretudo
carrego o peso do mundo em minhas costas,
seguindo só com minhas botas e o destino infiel.
No meu caminho, a primavera não é óbvia,
sinto mais frio que num inverno em Varsóvia
(sonhos congelados na nevasca da ilusão).

Aspiro o pó branco que sobe pelas narinas
ou mergulho na bebida ofertada nos bares...
(falsas amigas que me empurram para a cova).
Não mais havendo lua-nova em minhas noites
semicerro as pálpebras e me acostumo ao breu;
afinal, o pior inimigo a enfrentar ainda sou eu.

Feito um corsário sem rumo,
minha alma de pássaro ganhou o azul,
migrou pro Sul... foi embora no outono
e se me mantenho em pé é por paixão:
tenho fé, que apesar de tanta derrota,
ao abrir alguma porta, ainda haverá verão 





Alice: Por André Luis Soares


Nome: André Luis Soares
Blog: Gritos Verticais
Endereço: Guarapari - ES



(André L. Soares)

.

Alice, embebida de pureza,
há poucas horas, chegara ao planeta,
ainda estava imune à maldade,
quando as notícias velozes
rasgaram-lhe as têmporas.

Lágrimas verdes vertendo das retinas,
pontas de dor aguda a lhe fisgar o peito,
grito de clave de sol, preso à garganta,
ela então, vê a santa desnuda
sob a luz fria do cotidiano,...
momento em que o belo pintou-se de breu
(sabor amargo de inocência trincada).

Cansada, recolhe-se ao quarto,
a proteger-se dos cristais e plasmas.
Após sangrar lembranças, cerra pálpebras,
chora e soluça outra vez, sozinha.
Por fim, Alice adormeceu!
Em seus sonhos ainda existem flores,
a água e a verdade parecem cristalinas
e até o coração do homem é bom.

Acanhado, procurei algo
que a fizesse sentir-se melhor
quando acordasse;
tentei criar um ‘origami’, mas já era tarde...
eu só tinha em mãos, a realidade. 




terça-feira, 13 de março de 2012

Conhaque: Por Maria Teresa h. Fornaciari


Nome: Maria Teresa h. Fornaciari
Blog: Ouvindo Meus Botões
Endereço: São Paulo - SP



Conhaque

Tudo por causa do conhaque, dona Vera... Eu aqui trabalhando dando duro varrendo escovando lavando e ele lá largado no sofá que até rasgou e ficou com o recheio aparecendo, um nojo. Os meninos não aguentam os gritos, ele só sabe falar berrando mais que os carneiros do pasto que muitas vezes fogem pela cerca que ele não conserta, vai ver nem os bichos são surdos e ficam horrorizados com o jeito como ele fala comigo e somem pelo mundo e depois ele tem que procurar eles e não acha e o patrão fica uma onça e desconta cada um dos carneiros do salário dele que não dá pra nada. Não gosto mais dele não, dona Vera, a senhora acha que eu posso gostar de um traste que não me enxerga nem quando eu ponho aquele perfume caro e vencido que a senhora me deu? Eu não tenho mais marido, dona Vera, tudo por causa do conhaque, o mesmo conhaque que fez mãe ficar desesperada e me dar de papel passado quando eu tinha sete anos, só sete anos, dona Vera. Nunca mais vi minha irmãzinha gêmea, ela também foi embora um pouco antes com uma moça de cabelo vermelho e de olhão azul para tomar conta de um bebê chorão de olho azul também, foram de carro naquele dia chuvoso de verão. Se eu perdoei mãe? Acho que sim porque o conhaque bota a gente desnorteada mas não dá pra dizer que gosto dela e de pai, nunca me procuraram e nem conhecem os meninos meus, aliás eles já estão grandes e falam em sair de casa para trabalhar na cidade e eu vou ficar sem eles, dona Vera,  vou ficar sem nada. Tá certo, tenho meu emprego aqui, mas não gosto nem do dinheiro que levo pra casa e que compra mais conhaque, dona Vera.
Estou parando até de rezar, dona Vera, parece que Deus está cheio de compromissos e não tem tempo pra gente sem mãe sem pai sem irmã sem marido sem filho sem coisa nenhuma. Vou contar pra senhora um segredo daqueles que não conto pra ninguém, dona Vera: sabe do que gosto? De sair do serviço no fim do dia mesmo que seja exausta porque aqui o trabalho é pra duas, a senhora me desculpe de estar falando isso, mas eu já disse que era segredo bem guardado, então eu saio daqui e vou andando pra casa a pé sem pressa nenhuma, mas olhando o céu cheio de nuvens e pensando que num dos muitos esconderijos dele vai ter uma garrafa de conhaque me esperando pra um gole. Eu sei que não devo, D. Vera, mas só o conhaque pra me fazer companhia e fingir que não existe em casa aquela cara inchada que não me vê, mesmo com este vestidinho de verão cheio de flor e de decote que a senhora não quis mais, D. Vera!


Texto de Francisco Ferreira, Divulgado aqui em razão do concurso. Visite o blog de Maria Teresa


Chacina: Por Francisco Ferreira





Nome: Francisco Ferreira
Blog: Versos Insones
Endereço: Betim - MG




Chacina

Dois anos no exterior.
Nenhuma carta, e-mail, telefonema... Sequer uma mensagem!
Retornou.
Há 10 metros de casa o velho telefone público. Discou torcendo para que a mãe atendesse.
_ Mamãe?
_ Vitória? Meu Deus, é você? Estava morta de preocupação com você, já a acreditava morta. Mas se eu disser que sonhei com você hoje, que tinha voltado, você crê? Como você está? Tudo bem? Quando você volta?
_ Sim mamãe, ta tudo bem! E o pai e meus irmãos?
A mãe se sobressaltou. “Vitória, perguntado pelo pai e os meninos. Será que está acontecendo alguma coisa?”
_Ah, minha filha o de sempre. Chegou bêbado e já foi dormir. Os meninos também! Mas se quiser falar com eles eu os acordo.
_ Não precisa, mamãe. Boa noite!
_ Oh, filha. Depois de dois anos... Não desliga não... – mas já havia desligado.

Márcia ouviu baterem na porta. “Quem poderá ser a esta hora, meu Deus? Só podem ser os vizinhos pedindo alguma coisa emprestada. Nunca devolvem nada. Gente folgada!” – Abriu.
_Vitória? Mas eu falei com você há um minuto???
A moça apontou-lhe com a cabeça o telefone público, do outro lado da rua e estendeu-lhe a mão. A mãe não se conteve e aninhou a filha nos braços, soluçando. Coisa estranha aquele abraço, já não se lembrava do contato com a mãe. Esquecera-se das suas formas, do seu cheiro. Aliás, jamais o conhecera. Gente era algo muito estranho e imprevisível. Retribuiu, sem emoção, ao abraço.  
_ Venha Vitória. Vou acordar o seu pai e os meninos. Eles hão de querer vê-la!
_ Não precisa, mamãe. Amanhã os vejo. Minhas coisas ainda estão no meu quarto? To com sono. Vou me lavar e dormir.
_ Mas o que é isso, menina? Vou esquentar a janta, você deve estar com fome.
“A mesma conversa fiada de sempre. Com ela ou com os irmãos era sempre a mesma coisa. Para a Velha Sádica bastava que os alimentasse com a sua comida requentada e sem tempero, feita sem nenhum amor e estava tudo bem! Desde que cozinhasse a comida chorada que o Velho Ordinário colocava dentro de toca e estava tudo bem. Desde que houvesse pão para os seus, o circo é que se danasse. E que se danassem todos aqueles que desejassem dela algo mais. Isso já não bastava?
_ Estou sem fome, Não precisa. Obrigada, mamãe...
_ Está bem. Você deve mesmo estar cansada. Ouvi dizer que no exterior vocês trabalham feito burro. Igual a escravos, que não tem tempo para nada. Você ta parecendo muito mais mirrada do que quando saiu daqui, mas deve ser a vida que ta levando, né mesmo? Mas agora que você ta aqui, vai recuperar as carnes e as cores rapidinho. Já já e ta corada de novo.
“Ah! A Velha Sádica destilando seu veneno. Pobre coitada. Quanto está enganada, mas se lhe faz bem, deixarei que pense deste jeito.”
_ Pois é, mamãe, vá dormir amanhã agente se fala mais. Vai descansar... – um sorriso desdenhoso bailou no rosto de Vitória. “Vai descansar!”
Deitou-se sabendo que não iria dormir. Tão surreal aquela situação. Sentia que nunca fez parte daquilo, embora estivesse no seu quarto. O mesmo velho quarto, rodeada de suas velhas coisas, como em mais de vinte anos de sua vida. O guarda-roupa de portas amarradas e caindo para um lado; as mesmas bonecas mutiladas e de segunda-mão; a mesma cama barulhenta e fedendo a naftalina. Tudo igual! O que então não condizia, estava fora do lugar?  O que, naquele contexto, diferia e não se encaixava? Desde os cinco anos dormia sozinha naquele cômodo minúsculo e cheio de goteiras. Quente feito o inferno, no verão e, no inverno, gelado. Desde que a mãe surpreendera Rildo a observando enquanto dormia e se masturbando. “Aquele porco!” Foi a primeira vez que a Velha Sádica saiu de sua letargia e tomara o seu partido. O menino ficou andando com dificuldades durante uns três dias, resultado da tunda de cabo de vassoura. O Velho Ordinário admoestou o filho, rindo:
_ Qualquer uma. Mas sua irmã, não!
Mas surrou-a para que ela “tomasse modos de moça e não provocasse os rapazes!” Cinco anos! O que ela poderia saber?
Só poderia ser isto que não se encaixava: a ausência do medo.  Não bastante ao nojo que nutria pela família, não havia mais medo. “Que sensação maravilhosa é não sentir nenhum medo. Não se sobressaltar e tremer a cada barulho vindo do interior da toca.” Já que os barulhos do exterior jamais a preocuparam ou assustaram! “Eu poderia entrar no quarto de qualquer um deles e gritar: eu não tenho mais medo de vocês, ouviram? A nenhum de vocês. Nem ao Velho Ordinário, nem ao Porco do Rildo e nem ao Gílson, esta víbora mesquinha!” mas a hora ainda não chegara. Era muito cedo.
Era cedo para acordá-los com seu desabafo tardio e inoportuno, mas para matá-los, era precisamente o momento.
Na manhã seguinte, já longe dali, da família, apenas as manchetes do jornal. 




Texto de Francisco Ferreira, Divulgado aqui em razão do concurso. Visite o blog de Francisco Ferreira

sábado, 3 de março de 2012

Blog Tiro Curto


O blog Tiro curto é um blog que chama bastante a atenção, traz exercício literários em verso e prosa, como mesmo disse o autor, Rodrigo Domit, que tem dois livros publicados, Colcha de Retalhos e Vem pra cá que eu te conto.

Avaliação:

  1. Layout: simples, mas bem leve, carrega rápido. Conteúdo bem organizado.
  2. Postagens: Vasto conteúdo, pois o blog existe desde 2004.
Redes Sociais:
Total de pessoas nas redes sociais

Twitter: 468 seguidores
Facebook: 32 pessoas curtiram








sábado, 24 de dezembro de 2011

Wink - Mia Sodré




Como foi descoberto? - Quando conheci o blog da Mia Sodré, foi por meio do twitter da Juliane Bastos , onde ela falava de um texto incrível, me bateu a curiosidade e fui ver o tal texto, e de cara notei a simplicidade e os sentimentos impregnados no texto e o que mais impressiona é a criatividade.

Sobre o blog:  Como já falei, fiquei impressionado com a simplicidade, a criatividade e os sentimentos nos textos, o Wink é um blog super leve, com todos os textos muito bem organizados, de fácil acesso a tudo no blog, não é difícil achar informações sobre a autora, e sobre o blog.

Sobre a autora: Mia Sodré e de Viamão-RS região metropolitana de Porto Alegre, 17 anos, aquariana, se diz excêntrica até demais, apaixonada por retrô e vintage, anos 50, 60 e 70. Mia diz que nasceu na década errada e no país errado também, já que tem descendência de  família inglesa, alemã, polonesa e judia, e segundo ela não tem nada de brasileira. Escritora nas horas vagas, é odiada por alguns e admirada por quase todos e sem a mínima modéstia, essa é Mia Sodré.












terça-feira, 22 de novembro de 2011

Blog: Ins*pirações


Ins*pirações é aquele blog, que você procurava, com textos bem elaborados e insPirados,  seu bom humor e sua forma de escrever bastante contagiante, faz você se trancar na frente do computador e ler o blog inteiro, embora seja um blog novo, traz consigo bastante conteúdo.

Concerteza você vai gostar do blog.
Aqui fica o endereço para o blog, e para o RSS do mesmo.


Blog: Entre as Nuvens








  
O blog entre as nuvens é um blog escrito por Mari Sayuri, é mais um blog literário que entra para galeria do Olinkador, e trás consigo histórias, poemas, um pouquinho da cultura oriental e como Mari mesmo citou os desvaneios de MAL/AMADA.

"Um dia as nuvens nos levarão para outro lugar".
Gosta de leitura cotidiana e ficção?
Então está aqui um prato cheio.


Algumas redes sociais do blog:

 










domingo, 6 de novembro de 2011

Mágica Literária




O blog Mágica Literária nasceu da ideia da blogueira Paty Algayer, de prover informações sobre seu assunto favorito: os livros, resenhas, entrevistas e promoções.

Blogueira: Patrícia Algayer




sábado, 5 de novembro de 2011

O que um coração sente






Blogs existem muitos, porém é difícil encontrar um blogs com conteúdos exclusivos, talvez seja esse o verdadeiro diferencial do blog de Juliane Bastos, com conteúdo exclusivo, ótimos textos e muita participação, talvez hoje, possa ser considerado um dos melhores blogs literários encontrados na internet.


Geralmente seus posts saem a cada 3 dias, são textos românticos, sobre amizade, alguns poemas, que por sinal, são muito bons. Sobre a blogueira, como ela mesmo diz, é apaixonada por fotografias, por escrever, ler e por viajar. Inclusive tem o sonho de conhecer o Rio Grande do sul de " cabo a rabo", você pode acompanhar clicando aqui


Visite já o blog.





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